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Sobre extinção de RAs

Senhora Presidente.
Senhoras e Senhores Deputados.

O assunto que me traz à Tribuna hoje é o Projeto de Lei encaminhado pelo Executivo, tratando da redução das Administrações Regionais do DF, sob o argumento de contenção de gastos.

Deixo claro aqui que sou contra a extinção de qualquer RA. Meu primeiro argumento na defesa das Regiões Administrativas existentes no DF é a participação das pessoas nas questões que atingem o cotidiano dos locais onde elas moram.

O cidadão tem uma relação próxima com o administrador da sua cidade. E o administrador, por ser parte da comunidade que representa, tem conhecimento de seus problemas e de seus potenciais de desenvolvimento. Ou seja, é uma avenida de mão dupla. E o que o Governo quer é uma rua de mão única. Aglutinando regiões em RAs maiores, alterando seus nomes, o Governo dificulta o acesso dos moradores às decisões que lhes dizem respeito mais diretamente. E esse, senhoras deputadas, senhores deputados, não é, com certeza, o melhor caminho para quem deseja governar com o povo e pelo povo.
Por exemplo: uma pessoa que mora na Fercal, tem mais facilidade de resolver qualquer pendência indo até a Administração Regional da Fercal. Mas a proposta do Executivo quer obrigar essa mesma pessoa a deslocar-se até Sobradinho para ter acesso ao órgão governamental que representaria toda aquela região.
Se a intenção do Governo é reduzir gastos, por que não pensar em diminuir a quantidade de cargos comissionados nas Administrações Regionais ao invés de extingui-las? Enxugue o quadro de servidores das Administrações, Sr. Governador, mas não feche as portas do órgão que simboliza a representação dos cidadãos de cada região que compõe o Distrito Federal.

Meu segundo argumento, Sra. Presidente, para ser contra o PL em discussão é de foro íntimo, é pessoal e intransferível. Mas tenho a plena convicção que é também de milhares e milhares de outros cidadãos que vivem, trabalham e criam seus filhos e netos no nosso Distrito Federal.
Eu nasci em Sobradinho. Foi em Sobradinho que estudei, criei laços de amizade e relações de afeto e bem querer. Minhas melhores referências de valores estão em Sobradinho. É lá que constituí família e onde moro até hoje.
Imaginem, senhores parlamentares, se apenas com uma assinatura governamental, toda a minha memória afetiva e de identidade fosse transformada e Sobradinho passasse a ter configuração geográfica diferente, sob o nome de ....
Da mesma forma ocorre com o Núcleo Bandeirante, a única cidade satélite criada por Lei Federal. Anterior à construção de Brasília, era chamada de Cidade Livre e abrigava os candangos que trabalhavam nos canteiros de obras.

Como o Cruzeiro, região urbana nascida antes da inauguração da Capital Federal, para abrigar principalmente os brasileiros vindos do Rio de Janeiro. O Cruzeiro é Patrimônio Cultural Imaterial do DF e recebeu esse nome pela proximidade ao Cruzeiro onde foi celebrada a primeira missa da Capital, em 1957.
Como Brazlândia, que já existia em 1933, como povoado goiano que integrava a área rural de Luziânia. Apesar do crescimento e da geração de empregos com empresas instaladas, Brazlândia permanece firme na sua vocação de polo estratégico para a agropecuária.
Poderia falar aqui de todas as regiões administrativas do nosso quadrilátero. Mas vou me restringir apenas a esses exemplos para demonstrar que cada aglomerado urbano ou rural tem origem diversa. Tem sua própria história, suas próprias tradições e lutam para manter seus valores culturais.
Pelas razões aqui demonstradas, senhoras e senhores, meu voto é NÃO ao Projeto de Lei de extinção de RAs.

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