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Sobre Racismo na Internet

Senhora Presidente.
Senhoras e Senhores Deputados.

Falta uma semana para o dia 13 de maio, data que simboliza a Abolição da Escravatura no Brasil. 127 anos nos separam da assinatura da Lei Áurea, que extinguiu a escravidão em nosso País a partir daquele dia, um domingo, em 1888.
Se o gesto da Princesa Isabel pôs fim à escravidão, não teve o poder de fazer o mesmo com o preconceito contra os negros. Uma prática absurda, perversa e desumana que se repete até os dias de hoje. É uma luta diária, cotidiana, para que este crime também seja extinto.
O crime de racismo no Brasil ocorre de diversas formas, veladas ou explícitas. E os criminosos agora se valem de uma nova ferramenta: as redes sociais. Espaço virtual onde destilam seu ódio contra os negros.
Foi o que aconteceu com a brasiliense Cristiane Damacena, que ao trocar sua foto de perfil numa rede social foi criminosamente atacada por conta de sua condição racial. Utilizando perfis falsos, os criminosos têm a falsa sensação de impunidade. Acreditam que não podem ser alcançados pelos braços da Lei. Quanta ignorância! Os recursos tecnológicos permitem à Polícia rastrear qualquer computador e chegar aos autores do crime.
A jornalista Cristiane Damacena registrou queixa e a Polícia Civil do Distrito Federal está apurando o caso. Não vou repetir aqui as ofensas que ela sofreu por meio da internet, porque não vou dar publicidade aos que pautam sua vida pela intolerância. Não vou falar das qualidades ou defeitos da Cristiane Damacena, primeiro, porque não a conheço. Segundo, porque não interessa o perfil da vítima.
Trata-se apenas de um ser humano que foi covardemente ofendido e humilhado por pessoas que não têm a coragem de mostrar a cara. Que durmam em berço esplêndido enquanto podem, porque tenho a certeza de que a Polícia e o Ministério Público se encarregarão de mostrar à sociedade a cara dos criminosos que se escondem na internet.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar desta Casa de Leis não será omissa diante deste fato. Como presidente da Comissão, determinei a elaboração de documento oficial endereçada ao Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público do Distrito Federal, para que a Justiça acate a denúncia e dê prosseguimento às investigações da Polícia Civil.
Para encerrar, senhora presidente, trago para reflexão uma frase de Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”
Muito obrigado.

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